22 de setembro de 2026

Natureza e bem-estar ganham espaço nas escolhas dos viajantes

Busca por descanso, experiências personalizadas e hospedagens fora dos formatos tradicionais ajuda a redesenhar o turismo no Brasil

Viajar para desacelerar, dormir melhor e passar mais tempo em contato com a natureza tem ganhado espaço entre as motivações dos turistas. Para 2026, o Ministério do Turismo aponta saúde e bem-estar entre as principais tendências do setor, com crescimento de experiências ligadas a descanso, práticas ao ar livre e desconexão da rotina urbana. 

A tendência também aparece em pesquisas sobre o comportamento dos viajantes. Em levantamento da Booking.com realizado com mais de 29 mil pessoas em 33 países, 47% dos brasileiros entrevistados afirmaram que tirariam férias com o objetivo de ficar mais próximos da natureza. O estudo aponta ainda interesse por atividades de ritmo mais lento e experiências associadas ao silêncio e à redução do estresse. 

No cenário internacional, o turismo de bem-estar também movimenta cifras crescentes. Dados do Global Wellness Institute mostram que os gastos nesse segmento chegaram a US$ 894 bilhões em 2024. Projeções divulgadas anteriormente pelo instituto indicam que o mercado pode alcançar cerca de US$ 1,35 trilhão em 2028. 

Esse comportamento ajuda a ampliar o espaço para hospedagens que têm a própria experiência como parte da viagem, de cabanas e chalés em áreas naturais a pequenas propriedades e acomodações de temporada. Em vez de funcionar apenas como ponto de apoio para conhecer um destino, a hospedagem passa, em alguns casos, a fazer parte do motivo da viagem.

O aluguel por temporada acompanha esse movimento. Estudo da FGV Projetos, encomendado pelo Airbnb, aponta que a atividade da plataforma movimentou R$ 113,2 bilhões na economia brasileira em 2025, alta de 13,4% em relação ao ano anterior. Desse total, R$ 62,8 bilhões corresponderam à contribuição estimada para o PIB, enquanto a atividade sustentou 703,9 mil postos de trabalho. 

A expansão desse modelo não significa o desaparecimento da hotelaria convencional, mas revela uma diversificação da forma de viajar. Ao lado de hotéis e pousadas, ganham visibilidade acomodações menores, integradas à paisagem e voltadas a públicos que procuram privacidade, tranquilidade ou experiências específicas.

No Brasil, onde destinos de natureza ocupam parte importante da oferta turística, essa procura encontra terreno favorável. Para 2026, a tendência apontada pelos estudos é de uma viagem cada vez menos centrada apenas no destino e mais ligada à maneira como o visitante deseja passar aqueles dias — seja em busca de descanso, contato com o ambiente natural ou uma experiência diferente da rotina.