24 de setembro de 2026

Café de especialidade ganha escala e mercado global pode superar US$ 250 bilhões

Projeção aponta crescimento de 10,8% ao ano até 2033, enquanto o Brasil amplia sua presença em um segmento marcado pela valorização da origem e da qualidade


O café de especialidade deixou de ocupar apenas pequenos nichos de consumidores para movimentar cifras bilionárias. O mercado global foi estimado em US$ 111,5 bilhões em 2025 e poderá alcançar US$ 251,7 bilhões até 2033, segundo levantamento da Grand View Research. A projeção representa crescimento médio anual de 10,8% entre 2026 e 2033

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A expansão acompanha mudanças na maneira como parte dos consumidores escolhe a bebida. Características como procedência dos grãos, perfil sensorial, método de preparo e práticas de produção ganharam relevância em um segmento que aposta na diferenciação do produto. Segundo a consultoria, o interesse por cafés premium e artesanais e a maior atenção à origem e à sustentabilidade estão entre os fatores que impulsionam esse mercado. 


Os dados também colocam o Brasil em posição relevante nesse movimento. Maior produtor mundial de café e segundo maior consumidor da bebida, o país produziu mais de 1,3 milhão de sacas de cafés especiais na safra de 2024, de acordo com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Desde 2025, a entidade e a Specialty Coffee Association adotam no país o Coffee Value Assessment (CVA), sistema que avalia diferentes atributos do café e passou a ser o protocolo nacional para o segmento. 


Em termos de receita, a Grand View Research estima que o mercado brasileiro de cafés especiais tenha movimentado aproximadamente US$ 2,2 bilhões em 2025. A projeção é de US$ 4,8 bilhões em 2033, com crescimento médio anual de 10,3% a partir de 2026. O Brasil também aparece como o maior mercado latino-americano do segmento na estimativa da consultoria. 


A valorização vai além da xícara. Cafeterias especializadas, diferentes métodos de extração e informações sobre regiões produtoras aproximaram o consumidor de etapas da cadeia que antes permaneciam distantes da experiência cotidiana. Nesse contexto, o café passa a ser diferenciado não apenas pela bebida final, mas também pela história e pelas características associadas ao grão.


A projeção de crescimento mostra como esse consumo, antes associado principalmente a um público especializado, ganhou escala comercial. Para o Brasil, que ocupa as duas pontas dessa cadeia como grande produtor e consumidor, a expansão abre espaço para que qualidade, diversidade de origens e valor agregado tenham peso cada vez maior no mercado internacional.