2 de outubro de 2026

Mil maneiras de matar o tempo chega à Casa Fiat de Cultura

Exposição de Talita Hoffmann reúne nove pinturas que combinam vestígios urbanos, sobreposições e cores pop em paisagens marcadas pela ausência humana

Paisagens em transformação, fragmentos arquitetônicos e objetos que parecem suspensos no instante seguinte a uma explosão compõem Mil maneiras de matar o tempo, exposição da artista gaúcha Talita Hoffmann que entra em cartaz na Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, no dia 6 de outubro. Com entrada gratuita, a mostra reúne nove pinturas produzidas entre 2024 e 2026 e poderá ser visitada até 22 de novembro.

Embora as figuras humanas estejam ausentes, seus vestígios atravessam as cenas. Talita parte do interesse por espaços abandonados e lugares em transformação para construir paisagens que parecem registrar movimentos interrompidos. “A paisagem está sempre mudando. É como areia movediça, uma paisagem sendo engolida e formando outra. Há um vestígio humano, mesmo com a ausência da figura humana”, explica.

O próprio título da exposição nasceu da leitura de Um homem que dorme, de Georges Perec. A expressão “matar o tempo” levou a artista a pensar também sobre a velocidade com que as imagens são produzidas e consumidas atualmente. Essa percepção aparece nas pinturas por meio da sobreposição de temporalidades e de fragmentos que parecem pertencer a momentos distintos.

As cenas não correspondem a lugares específicos. Para construí-las, Talita utiliza um repertório formado por fotografias próprias, imagens encontradas na internet e frames de filmes. Os elementos são selecionados e reorganizados até formar novas paisagens. A formação da artista em Design Visual também atravessa esse processo, com referências ao desenho arquitetônico e à comunicação visual.

Em contraste com certa desolação dos cenários, as cores conferem às obras uma dimensão pop. Nos trabalhos recentes, Talita também passou a utilizar tinta acrílica diluída, recurso empregado na busca por outras possibilidades de construção da imagem.

Henrique Menezes, responsável pelo texto curatorial, relaciona as obras ao excesso e à velocidade das imagens na vida contemporânea. Para ele, a combinação entre cenas acumuladas e movimentos aparentemente congelados cria um universo “pop-apocalíptico em slow motion”.

Talita Hoffmann nasceu em Porto Alegre, em 1988, e vive e trabalha em São Paulo. É formada em Design Visual pela ESPM e em Artes Visuais pela ECA-USP e participa, desde 2008, de exposições no Brasil e no exterior. A artista foi uma das selecionadas para a 9ª edição do Programa de Seleção da Piccola Galleria, que recebeu mais de 370 trabalhos.

A abertura da mostra, em 6 de outubro, terá ainda um bate-papo com Talita Hoffmann, às 19h, sobre seu percurso, referências e processo de criação. A participação é gratuita, mediante inscrição pela Sympla.

Serviço
Mil maneiras de matar o tempo, de Talita Hoffmann
De 6 de outubro a 22 de novembro de 2026
Casa Fiat de Cultura – Praça da Liberdade, 10, Funcionários, Belo Horizonte
Terça a sexta-feira, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Entrada gratuita
Bate-papo com Talita Hoffmann: 6 de outubro, às 19h
Mais informações: @casafiatdecultura