Setor movimentou R$ 168,8 bilhões entre janeiro e julho de 2026, enquanto hospedagem recuou e alimentação ligada ao turismo seguiu em alta
O turismo brasileiro manteve trajetória positiva nos primeiros sete meses de 2026, mas já mostra sinais de desaceleração. Entre janeiro e julho, o setor faturou R$ 168,8 bilhões, alta de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior valor já registrado para esse intervalo.
Os dados são da Pesquisa do Faturamento do Turismo Nacional, elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, a FecomercioSP, com base em informações do IBGE.
Somente em julho, o faturamento chegou a R$ 25,5 bilhões, crescimento de 2,6% na comparação anual. Na avaliação da entidade, o resultado ainda é positivo, mas reflete um cenário de expansão mais moderada, influenciado pelo crédito caro, pela inadimplência elevada e pelos efeitos desses fatores sobre a renda das famílias.
O transporte aéreo de passageiros continuou como a atividade de maior faturamento no mês, com R$ 8,1 bilhões e alta de 3% sobre julho de 2025. A demanda doméstica cresceu 4%, enquanto o número de passageiros transportados avançou 2,4%. No mesmo período, a tarifa média recuou de R$ 742 para cerca de R$ 703.
Nem todos os segmentos, porém, avançaram. Os meios de hospedagem faturaram aproximadamente R$ 5,6 bilhões em julho, queda de 1,4% na comparação anual. Já a alimentação voltada ao turismo teve desempenho mais forte, com R$ 3,9 bilhões em receitas e crescimento de 6,5%.
Outras atividades também voltaram ao campo positivo. A locação de meios de transporte cresceu 2%, com faturamento de R$ 2,9 bilhões, enquanto atividades culturais, recreativas e esportivas avançaram 1,6%, somando R$ 709 milhões.
O desempenho também foi desigual entre os estados. Na análise regional, que exclui o transporte aéreo, 17 unidades da Federação registraram alta e 10 tiveram queda. São Paulo manteve a liderança em faturamento, com cerca de R$ 7 bilhões em julho, enquanto a Bahia apresentou a maior variação porcentual entre os estados de maior receita, com avanço de 18,7%.
Para 2026, a FecomercioSP mantém a projeção de crescimento próximo de 4% no faturamento do turismo. Se o cenário se confirmar, o setor pode encerrar o ano perto de R$ 300 bilhões, alcançando um novo recorde histórico mesmo em um ambiente de expansão mais moderada.
