29 de outubro de 2026

Consumo insuficiente de fibras acende alerta para a saúde intestinal


Nutricionista da foodtech brasileira Jui explica os benefícios das fibras, enquanto empresa aposta em soluções funcionais para facilitar o consumo diário

A ingestão insuficiente de fibras alimentares é um dos desafios da alimentação contemporânea e pode trazer consequências para a saúde intestinal. Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomende o consumo de pelo menos 25 gramas por dia para adultos, grande parte da população brasileira não atinge essa quantidade. O cenário chama atenção para a importância de uma alimentação variada, especialmente em um momento em que cresce o interesse por produtos associados à saúde digestiva e ao bem-estar.

As fibras desempenham diferentes funções no organismo. Além de contribuir para a formação e eliminação das fezes, algumas delas servem de alimento para microrganismos benéficos que compõem a microbiota intestinal. Dependendo de suas características, também podem favorecer a saciedade e auxiliar no controle da resposta glicêmica, participando de processos que vão além da regulação do trânsito intestinal.

“Na população ocidental, a ingestão de fibras costuma ficar abaixo das quantidades recomendadas, o que pode prejudicar a saúde intestinal. As fibras contribuem para o funcionamento intestinal, servem de substrato para a microbiota e, dependendo do tipo de fibra, podem favorecer a saciedade e ajudar no controle da resposta glicêmica. Uma ingestão insuficiente pode estar associada a alterações do funcionamento intestinal, especialmente à constipação”, explica Maria Eduarda Marques, nutricionista que participou do desenvolvimento da fórmula da Jui, marca brasileira de alimentação funcional.

Entre os diferentes tipos de fibras, duas têm recebido atenção no mercado de produtos funcionais: o psyllium e a inulina. O primeiro é uma fibra solúvel que absorve água e pode contribuir para a regularidade intestinal. Já a inulina é classificada como prebiótica, pois pode ser utilizada por determinados microrganismos da microbiota, favorecendo seu desenvolvimento. Apesar das características distintas, ambas podem integrar estratégias alimentares voltadas à saúde digestiva.

A presença desses ingredientes em suplementos e alimentos funcionais acompanha uma mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a buscar produtos com benefícios nutricionais específicos, além daqueles associados à redução de açúcar, glúten ou outros componentes. Nesse contexto, a indústria tem investido em fórmulas que combinam fibras, vitaminas e ingredientes de origem vegetal, com foco na praticidade de consumo.

Criada em 2023 pelos empreendedores André Dalem e Felipe Alda, a foodtech brasileira Juié uma das empresas que atuam nesse segmento. Seu produto em pó, preparado com água, combina psyllium, inulina, ingredientes vegetais, vitaminas e antioxidantes. A proposta é oferecer uma alternativa de consumo rápido para pessoas que encontram dificuldades em manter uma rotina alimentar adequada.

“Não adianta uma fórmula tecnicamente correta se ela não cabe na rotina das pessoas. Pensamos nesse formato para que o cuidado com a fibra deixasse de depender de lembrança ou disciplina extrema e virasse um hábito simples, de poucos segundos, encaixado na rotina de quem já não tem tempo sobrando”, afirma André Dalem, fundador da Jui.

Segundo levantamento interno divulgado pela empresa, 92% das clientes relataram regularidade intestinal na primeira semana de uso do produto, enquanto 77% das mulheres informaram redução do inchaço e maior frequência de evacuações nos quatro primeiros dias. Os percentuais, porém, correspondem a relatos de consumidoras e não devem ser interpretados como comprovação clínica de eficácia, já que o material não apresenta informações sobre amostra, metodologia ou grupo de comparação.

Especialistas em nutrição ressaltam a importância de obter fibras por meio de uma alimentação diversificada, que inclua frutas, verduras, legumes, feijões e cereais integrais. A ingestão adequada de água também é importante, especialmente quando há aumento doconsumo de fibras. Produtos funcionais podem integrar a rotina alimentar, mas não substituem a variedade de nutrientes oferecida pelos alimentos in natura e minimamente processados.