Pesquisa com duas grandes coortes espanholas encontrou associação favorável, mas autores e entidades de saúde alertam que os resultados não justificam começar a consumir álcool
Um estudo publicado em 2026 voltou a alimentar o debate sobre a relação entre vinho, dieta mediterrânea e saúde cardiovascular. A pesquisa analisou dados de duas grandes populações espanholas e identificou associação entre maior adesão ao padrão alimentar mediterrâneo e menores índices de doença cardiovascular e mortalidade.
O trabalho reuniu dados do PREDIMED, estudo com 7.447 participantes de maior risco cardiovascular, e do projeto SUN, que acompanhou mais de 23 mil pessoas. Além de avaliar hábitos alimentares, os pesquisadores observaram o consumo de vinho dentro do contexto da dieta mediterrânea.
Os resultados indicaram que participantes com boa adesão a esse padrão alimentar apresentaram menor risco de eventos cardiovasculares e mortalidade. Em algumas análises, aqueles que também consumiam vinho de forma moderada tiveram indicadores ainda mais favoráveis.
Os próprios autores, porém, destacam que os dados devem ser interpretados com cautela. O estudo identifica associações, mas não comprova que o vinho seja responsável pelos benefícios observados. Outros fatores ligados ao estilo de vida, à alimentação e ao perfil dos participantes também podem influenciar os resultados.
A pesquisa ganhou nova repercussão neste mês durante um encontro realizado em Sevilha pela Fundação para a Investigação do Vinho e da Nutrição, a FIVIN. A programação reuniu especialistas para discutir evidências recentes sobre consumo moderado de vinho, alimentação e saúde.
A discussão científica permanece aberta. A American Heart Association ressalta que não existe comprovação de que começar a consumir vinho melhore a saúde do coração e recomenda que quem não bebe não passe a beber em busca de possíveis benefícios.
O alerta também vale para outros riscos associados ao álcool. A Organização Mundial da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer destacam que mesmo pequenas quantidades aumentam o risco de alguns tipos de câncer e que não existe um nível considerado totalmente seguro nesse contexto.
Assim, a principal conclusão continua concentrada na dieta mediterrânea como um todo — rica em vegetais, frutas, grãos integrais, azeite, leguminosas e oleaginosas — e não no vinho isoladamente. O consumo de álcool não deve ser adotado como estratégia de prevenção cardiovascular.
