Apesar da retração registrada em julho, segmento acumula crescimento de 4,1% entre janeiro e julho em Minas Gerais, mais que o dobro do índice nacional
O comércio mineiro chegou ao segundo semestre com resultados distintos entre o desempenho mensal e o acumulado do ano. Análise da Fecomércio MG com base na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE, mostra que o varejo restrito recuou 1,2% entre junho e julho. Quando considerado o comércio ampliado, porém, Minas Gerais registra crescimento de 4,1% entre janeiro e julho, diante de uma alta de 1,9% no país.
No recorte mensal, o cenário foi menos favorável. Enquanto o varejo restrito brasileiro apresentou queda de 0,8% em julho, Minas teve retração de 1,2%. No comércio ampliado, que acrescenta ao cálculo veículos, material de construção e atacado especializado de alimentos, bebidas e fumo, a diferença foi maior: o estado recuou 1,3% no mês, enquanto o Brasil avançou 0,4%.
Para Fernanda Gonçalves, economista da Fecomércio MG, os resultados indicam uma desaceleração no curto prazo, com impacto maior sobre atividades mais sensíveis às condições de crédito e à renda disponível. A leitura do período acumulado, entretanto, mostra um desempenho mais favorável do comércio ampliado mineiro, sustentado especialmente por segmentos com peso relevante na economia estadual.
As diferenças aparecem também quando as atividades são observadas separadamente. Na comparação com julho de 2025, equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação avançaram 138,4% em Minas Gerais. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos cresceram 2,6%, enquanto outros artigos de uso pessoal e doméstico tiveram alta de 3,7%. A Fecomércio MG ressalta, porém, que o salto da informática deve ser analisado considerando o menor peso relativo e a volatilidade do segmento.
Na direção oposta, móveis e eletrodomésticos recuaram 9,2% na comparação anual, enquanto tecidos, vestuário e calçados tiveram queda de 8,7%. Combustíveis registraram retração de 3,1%, e, no comércio ampliado, o material de construção caiu 8,5%. Segundo a análise da entidade, o comportamento sugere maior resistência do consumidor em categorias que envolvem bens duráveis e semiduráveis e, em muitos casos, maior comprometimento da renda ou dependência de crédito.
Entre janeiro e julho, o varejo restrito mineiro cresceu 0,3%, abaixo dos 1,8% registrados nacionalmente. Já no comércio ampliado, o avanço de 4,1% em Minas foi impulsionado principalmente pelo atacado especializado de alimentos, bebidas e fumo, com alta de 19,1%, e pelo segmento de veículos e motocicletas, que cresceu 9,6%. O material de construção acumulou queda de 3% no mesmo período.
A diferença em favor de Minas também aparece na análise dos últimos 12 meses. Até julho, o comércio ampliado acumulou crescimento de 3,2% no estado, ante 1,2% no Brasil. O conjunto dos indicadores mostra, portanto, um mercado heterogêneo: enquanto atacado de alimentos, veículos e algumas categorias essenciais contribuem para o resultado positivo, vestuário, móveis e construção permanecem pressionados.
Mais análises e pesquisas econômicas podem ser consultadas nos canais oficiais da Fecomércio MG. A entidade identifica seu perfil no Instagram como @fecomercio.mg.
