Pesquisadores iniciaram novas perfurações e análises na estrutura de Durupınar, mas ainda não há evidências científicas de que o local abrigue restos da embarcação bíblica
Uma formação geológica no leste da Turquia voltou ao centro de uma investigação que atravessa ciência, história e uma das narrativas mais conhecidas da Bíblia. A estrutura de Durupınar, cujo formato lembra o contorno de uma embarcação, está sendo submetida a novos levantamentos e perfurações por uma equipe que busca compreender o que existe sob sua superfície — e se há elementos capazes de sustentar uma possível relação com a Arca de Noé.
Localizada na província de Ağrı, próxima ao Monte Ararat, a formação tem cerca de 157 metros de comprimento e desperta interesse há décadas. Neste mês, pesquisadores começaram a retirar amostras de diferentes pontos do terreno para análises laboratoriais, comparando materiais encontrados dentro e fora da estrutura. A investigação é conduzida sob direção científica do professor Cenker Atila, da Universidade Sivas Cumhuriyet, em colaboração com o projeto Noah’s Ark Scans.
Os trabalhos combinam técnicas como radar de penetração no solo, tomografia de resistividade elétrica, LiDAR e perfurações. A equipe relata ter identificado anomalias subterrâneas, cavidades e camadas com material orgânico. Alguns desses sinais são investigados como possíveis espaços ou estruturas internas, mas os dados disponíveis até agora não permitem determinar sua origem.
É justamente aí que a cautela se torna importante. O radar utilizado nas pesquisas não produz imagens diretas de paredes, corredores ou compartimentos: ele registra diferenças nas propriedades do subsolo que precisam ser posteriormente interpretadas e confrontadas com outras evidências. Até o momento, não foi demonstrado que as anomalias tenham origem humana, tampouco que exista madeira pertencente a uma antiga embarcação no local.
Durupınar também possui uma explicação geológica independente da narrativa bíblica. Pesquisas realizadas ao longo das últimas décadas apontam que seu formato pode resultar de processos naturais, incluindo movimentações e deformações do terreno. Essa interpretação não foi descartada pelos levantamentos atuais e continua sendo uma hipótese importante para explicar a formação.
As novas amostras poderão ajudar os pesquisadores a determinar a composição e a idade dos materiais encontrados, enquanto novas etapas da investigação estão previstas para os próximos anos. Por enquanto, portanto, Durupınar permanece como uma formação cercada por perguntas: os novos dados justificam a continuidade dos estudos, mas não constituem comprovação científica de que a Arca de Noé tenha sido encontrada.
