Green Label desapareceu de grande parte do mercado em 2012, mas a demanda dos consumidores levou a marca a reincorporar o blended malt de 15 anos ao portfólio
Nem todo produto retirado de linha desaparece definitivamente. O Johnnie Walker Green Label é um desses casos. Em 2012, a Diageo decidiu descontinuar o rótulo em grande parte do mundo durante uma reorganização do portfólio da marca. Quatro anos depois, ele retornaria oficialmente à linha global da Johnnie Walker.
Na época da mudança, a empresa reformulava a disposição de seus rótulos e preparava a entrada do Gold Label Reserve e do Platinum Label. Declarações de executivos da Diageo publicadas naquele período indicavam que a intenção era tornar mais clara a progressão de preços e perfis dentro da família Johnnie Walker. Taiwan foi uma das exceções e continuou comercializando o Green Label.
O rótulo ocupa uma posição incomum dentro da linha. Diferentemente dos tradicionais blends da Johnnie Walker, que podem combinar uísques de malte e de grão, o Green Label é classificado como blended malt: sua composição é feita exclusivamente a partir de single malts, todos envelhecidos por pelo menos 15 anos.
Entre os maltes utilizados estão destilados de Talisker, na Ilha de Skye; Caol Ila, em Islay; e Cragganmore e Linkwood, na região de Speyside. A combinação permite reunir características de diferentes regiões produtoras da Escócia em uma única bebida.
A retirada do mercado, porém, não encerrou a história. Em 2015, o Green Label reapareceu de forma limitada em mercados como Estados Unidos e Austrália. Em fevereiro de 2016, a Diageo anunciou que voltaria a incorporá-lo à linha principal globalmente. Na ocasião, Nick Morgan, então responsável pela divulgação de uísque da companhia, afirmou que a empresa havia ouvido consumidores e estava respondendo à demanda pela volta do produto.
A composição e a indicação de 15 anos foram preservadas no retorno. Atualmente, a própria Johnnie Walker apresenta o Green Label como o único rótulo de sua linha feito inteiramente a partir de single malts.
Mais de uma década depois da decisão de retirá-lo de boa parte das prateleiras, o Green Label permanece no portfólio. Sua trajetória acabou transformando uma mudança comercial de 2012 em um episódio pouco comum na história recente da marca: um produto descontinuado que encontrou caminho de volta à linha permanente.
