18 de setembro de 2026

Ópera inédita “Chica da Silva” estreia em BH neste sábado

100ª ópera apresentada pela Fundação Clóvis Salgado terá três récitas no Palácio das Artes e mobiliza cerca de 400 profissionais em uma nova leitura da personagem mineira


Uma das personagens mais conhecidas da história de Minas Gerais retorna ao palco sob uma perspectiva que busca separar a mulher dos mitos construídos em torno de seu nome. A ópera inédita “Chica da Silva” estreia em Belo Horizonte neste sábado (19), às 19h, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes. Novas récitas serão realizadas na segunda (21) e na quarta-feira (23), ambas às 20h.


Encomendada pela Fundação Clóvis Salgado (FCS), a montagem marca a 100ª ópera apresentada pela instituição e dá continuidade à temporada lírica de 2026. A produção tem música original de Guilherme Bernstein e libreto de Marcos Bernstein e Flávia Bessone, com direção cênica de Julianna Santos e direção musical e regência de André Brant.


A dimensão da montagem se reflete nos números. Cerca de 400 profissionais estão envolvidos na produção, que terá 163 artistas ao vivo, incluindo 17 solistas e atores. O espetáculo reúne ainda aproximadamente mil peças entre figurinos e adereços, 14 cenários e mais de 30 objetos cênicos. Participam os três corpos artísticos da Fundação: Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes.


No papel-título está a soprano Marly Montoni. O tenor Ewandro Stenzowski interpreta João Fernandes de Oliveira, contratador de diamantes com quem Chica manteve uma relação durante cerca de 17 anos. A equipe criativa conta ainda com coreografia de Regina Advento, figurinos de William Rausch, cenografia de André Cortez e iluminação de Wagner Pinto. A direção-geral é de Cláudia Malta, diretora artística da FCS.


A obra parte da trajetória de Francisca da Silva de Oliveira, nascida escravizada no século 18 e posteriormente alforriada, que alcançou uma posição social incomum para uma mulher negra no Brasil colonial. Sua história atravessou diferentes representações na literatura, no cinema e na televisão, muitas delas responsáveis pela construção de uma imagem associada sobretudo à sensualidade e à relação com João Fernandes.


A nova produção procura deslocar esse olhar. Uma das referências históricas utilizadas é o estudo “Chica da Silva e o Contratador dos Diamantes – O Outro Lado do Mito”, da historiadora Júnia Ferreira Furtado, que confronta versões consolidadas no imaginário popular com registros sobre a vida da personagem. A montagem aborda também as contradições de sua trajetória dentro de uma sociedade escravista, racista e patriarcal, sem tentar enquadrá-la apenas como heroína ou símbolo de resistência.


Antes da estreia na capital, parte desse projeto chegou ao território diretamente relacionado à história de Chica. No dia 12 de setembro, “Chica em Diamantina”, outra produção inédita encomendada pela Fundação Clóvis Salgado, foi apresentada gratuitamente na cidade onde ela viveu e construiu grande parte de sua trajetória.


Em Belo Horizonte, “Chica da Silva” terá apresentações nos dias 19, às 19h, e 21 e 23 de setembro, às 20h, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, na Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro. A classificação é livre. Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada) e estão disponíveis pela Sympla, na bilheteria do Palácio das Artes e nos totens de autoatendimento.