23 de outubro de 2026

Paracatu entra no radar de megaprojeto de data center de R$ 35 bilhões

Projeto em avaliação da Atlas Renewable Energy prevê complexo de 1 GW e reforça a entrada de Minas na disputa por grandes infraestruturas de tecnologia

Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, pode receber um dos maiores projetos de data center já planejados no Brasil. A Atlas Renewable Energy avalia a implantação de um complexo com potência estimada em 1 gigawatt (GW) e investimento que pode chegar a R$ 35 bilhões.

Três pedidos relacionados ao empreendimento foram protocolados no Ministério de Minas e Energia em outubro de 2025 pela Central Fotovoltaica Giovana SPE 1 S.A., ligada à Atlas. Os projetos aparecem nos registros oficiais como Paracatu 1, Paracatu 2 e Paracatu 3.

A dimensão chama atenção. Caso avance com a capacidade prevista, o complexo de 1 GW superaria a soma aproximada da potência dos data centers atualmente instalados no Brasil, estimada em cerca de 800 megawatts. A infraestrutura seria voltada ao processamento de grandes volumes de dados, incluindo aplicações de inteligência artificial e computação em nuvem.

Documentos apresentados ao governo indicam uma estrutura dividida em três módulos, com previsão inicial de operação parcial a partir de dezembro de 2027 e conclusão até 2030. O planejamento inclui 13 edifícios destinados aos equipamentos de processamento.

A escolha de Paracatu também está ligada à presença da Atlas no setor de energia renovável. A companhia já mantém grandes empreendimentos solares no município, entre eles os complexos Boa Sorte e Luiz Carlos. Este último soma 876 MW de capacidade, enquanto Boa Sorte reúne 438 MW.

Data centers exigem fornecimento elevado e contínuo de eletricidade, o que aproxima esse tipo de empreendimento de regiões com grande capacidade de geração. A expansão dessas estruturas também tem sido discutida como alternativa para absorver parte da energia renovável que deixa de ser utilizada em momentos de restrição do sistema elétrico.

Apesar da escala prevista, o projeto ainda não está confirmado. A Atlas informou que a proposta permanece em fase de estudos preliminares e que qualquer decisão de investimento dependerá de fatores como disponibilidade de recursos e viabilidade socioambiental.

A análise desse último aspecto deve ganhar peso ao longo do processo. Paracatu está inserida no Cerrado e possui áreas marcadas por conflitos relacionados ao uso da água, enquanto grandes data centers podem exigir recursos relevantes para operação e resfriamento, a depender da tecnologia adotada.

Se concretizado, o empreendimento acrescentará uma nova frente à economia de Paracatu, tradicionalmente associada à mineração, ao agronegócio e, mais recentemente, à geração de energia solar, colocando o município mineiro também no mapa da expansão da infraestrutura digital brasileira.